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Praia de paulistano
| 01/05/2001
A lógica por trás do sucesso dos shopping
centers Tadeu Masano
EXAME SP Edição(04) Se
shopping center é mesmo praia de paulistano, então empatamos com
Floripa. Temos 40 na metrópole. A grande pergunta é: será que vai dar pé?
Vai ter gente suficiente comprando para que todos esses shoppings, mais
outros que vêm por aí, sobrevivam?
Um fator que explica o sucesso dos centros de compras na cidade
é que o deslocamento do comércio do centro para a região da Rua
Augusta, em direção à Avenida Paulista, no início dos anos 60, não
conseguiu suprir as necessidades da população de maior renda que foi se
instalando em bairros novos e planejados. Também pesou a crescente
motorização, que facilitou o deslocamento dos consumidores e inibiu a ida
ao centro, devido aos congestionamentos.
Foi assim que o tradicional centro e o comércio de bairro passaram
a ser cada vez mais utilizados pelas camadas de menor renda. Os shoppings,
com suas lojas diversificadas, amplos estacionamentos, segurança e
conforto, foram se firmando como a opção das classes média e alta. O poder
público nada fez pela rua como local de convivência e consumo.
O faturamento dos shoppings cresce a cada ano. Segundo estimativa
da Abrasce, a associação do setor, os shoppings já respondem por 18% das
vendas do varejo. Significa um movimento de 23 bilhões de reais anuais.
Cerca de um terço dessa cifra se refere à Grande São Paulo. Era,
até pouco tempo atrás, uma aplicação de baixo risco e alta
rentabilidade para empreendedores, ancorado por financiamento de fundos de
pensão e luvas cobradas dos lojistas. Depois de inaugurados, a receita
provém de um percentual do volume de vendas e sempre com um aluguel mínimo
garantido.
Quanto mais volumosas forem as vendas, maiores serão as receitas
dos empreendedores. Quanto melhor localizado o shopping, melhor será o
desempenho comercial. Dessa forma, locais com alta densidade de população
abastada, de empregos e de fácil acesso são privilegiados para receber os
centros de compras. Duvida? Observe a cronologia da implantação dos
shopping centers em São Paulo. Como a Zona Sul detém a maior parcela da
população rica, ali foram plantados os shoppings Iguatemi (1966),
Ibirapuera (1976), Eldorado (1981) e Morumbi (1982). Surgiu a seguir o
Center Norte (1984), atendendo naquele momento a um contingente enorme de
consumidores, não só da Zona Norte mas também da Leste - o que veio
reduzir a imagem de shopping center como equipamento de elite. O
Interlagos (1988) destinou-se a uma população de nível de renda inferior,
assim como o Aricanduva (1991).
O mix de lojas de um shopping center deve ser elaborado para
atender às necessidades do seu público-alvo. Dessa forma, entender a
estrutura de gastos da população, em função da sua renda e dos seus atuais
locais de compra, permitirá avaliar o potencial da área e a viabilidade de
implantação do shopping (veja quadro). É por isso que, em alguns
centros, os hipermercados são lojas-âncoras, enquanto em outros as grifes
internacionais é que assumem esse papel. O consumidor também busca
individualidade. As atividades de lazer ganham espaço, mas pouco remuneram
o empreendedor. Cabe aos administradores a tarefa de somar lojas que
atrairão mais consumidores, determinando maiores volumes de negócios.
É assim que poderão cobrar aluguéis mais altos.
Mas, como ocorre com as praias, alguns centros sempre serão
melhores do que outros. Há praias impróprias para banho. Há shoppings
impróprios para consumo. Só não vale o argumento de que quanto menos
gente, melhor.
Tadeu Masano, doutor em planejamento urbano pela FAU-USP,
é professor na Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e presidente da
consultoria Geografia de Mercado
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