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A onipresença dos
bancos | 01/03/2001
Agências proliferam em plena era da
Internet Tadeu Masano
EXAME SP Edição(02) Fala-se
muito que, nestes tempos de transformação tecnológica, os pontos-de-venda
convencionais - instalações físicas na rua ou em shoppings - vêm perdendo
espaço para a Internet na aquisição de produtos e serviços. Será que isso
corresponde à realidade? Ao menos no caso do mercado bancário de São
Paulo, de longe o maior do Brasil (veja tabela), a resposta é "não".
É verdade que aqui, como em todo o país, o número de transações por
computador tem crescido a taxas elevadas. Lotéricas e - pasmem -
até padarias estão oferecendo serviços bancários. Mas o fato
é que, em São Paulo, o número de agências e de caixas eletrônicas
continua a crescer, apesar de todas as vantagens do web banking.
É curioso que o aumento no número de pontos de serviços
bancários nas cidades-sede de áreas metropolitanas (São Paulo, Rio, Belo
Horizonte, entre outras) ocorra num quadro em que o número total de
agências do país permanece praticamente estabilizado, em torno de 16 000.
O município de São Paulo, que possuía 1 430 agências bancárias há cinco
anos, registra atualmente 1 850, o que corresponde a 11% da rede nacional.
Quase todas as instituições apresentaram crescimento nesse período,
inclusive as federais, cujas redes em São Paulo são pequenas em relação à
importância do mercado.
Em parte, a ampliação da rede bancária em São Paulo se deve a
fatores ligados à realidade econômica mais geral, como o crescimento do
mercado, o aumento da população "bancarizável" (ou seja, a parcela dotada
de renda suficiente para ter acesso a produtos financeiros) e a entrada de
bancos estrangeiros. Mas há outro motivo, menos óbvio, que tem a ver com a
expansão da geografia da cidade e com a busca, por parte dos bancos, de
reafirmar seu status perante os clientes reais ou potenciais. Ao longo da
história, a rede bancária paulistana se desenvolveu acompanhando o traçado
viário onde se registra concentração de serviços e comércio. Foi assim com
o Centro, depois com a ascensão da Avenida Paulista à condição de pólo de
desenvolvimento da cidade e, na última década, com a mudança do eixo dos
negócios para a Zona Sul. Sempre que há alterações na geografia da cidade,
surgem novas agências bancárias. O mesmo acontece quando se inauguram
novos shopping centers e hipermercados.
As agências não são apenas um lugar onde ocorrem transações, mas um
símbolo de poderio econômico. Experimente a sensação de segurança que
é se sentar num dos sofás da agência matriz de uma instituição
financeira situada na esquina da Paulista com a Rua Augusta. Aos olhos do
cliente, o fato de um banco possuir um imóvel imponente, em localização
privilegiada, traduz solidez e seriedade. O local mais emblemático, em São
Paulo, para ilustrar a importância da presença física do banco, é a
esquina das avenidas Juscelino Kubitschek e Nova Faria Lima. Lá estão
sendo construídas agências do Itaú e do Bradesco, além do Amro Bank-Real,
já instalado. Pode até ser que daqui a alguns anos, quando o uso de
novas tecnologias estiver mais disseminado, as agências bancárias fiquem
menos necessárias. Mas, mesmo assim, elas poderão abrigar outros usos,
pois ainda estarão muito bem localizadas.
Tadeu Masano, doutor em planejamento urbano pela FAU-USP,
é professor na Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e presidente da
empresa de pesquisas Geografia de Mercado
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