são paulo mapa da mina - 25/7/2001


São Paulo global

Na geografia dos negócios, a região metropolitana ganha mais peso internacional

Por Tadeu Masano

Que o mercado da Grande São Paulo se transforma e se globaliza ninguém duvida. O
que causa perplexidade é a velocidade em que isso ocorre: mudam os setores, mudam os empregos, muda o controle do capital. O perfil econômico da metrópole é bem diferente do encontrado 15 anos atrás. Naquela época, para cada emprego na indústria havia um no setor de serviços. Hoje, mais de três. Levantamento recente da consultoria KPMG aponta um número recorde de fusões e aquisições neste ano, mais de 60% das negociações envolvendo o capital estrangeiro. E a maioria tendo como palco a megacidade de São Paulo.

Estudos internacionais qualificam como megacidades os aglomerados urbanos com mais de 10 milhões de habitantes. Mas, para ser global, o que conta não é a população. É a concentração de empresas do setor financeiro e de atividades de serviço de ponta que acumulam conhecimento, como consultoria, advocacia, auditoria e publicidade. Cerca de 60 cidades no mundo preenchem tais quesitos, segundo o estudo.

São Paulo está classificada entre as cinco megacidades globais da América Latina. Há 11 nos Estados Unidos, entre elas Nova York, Chicago, São Francisco e Los Angeles.

Um levantamento comparativo com base na mais recente edição de Melhores e Maiores confirma o expressivo aumento do peso do capital estrangeiro na metrópole paulista. Considere o desempenho das 500 maiores empresas privadas listadas no anuário de Exame:

• Suas vendas atingiram 283 bilhões de dólares no ano passado - praticamente o dobro de 1990. Isso considerando o evento da maxidesvalorização em 1999. Apenas as empresas com sede na metrópole paulista foram responsáveis por 46% do total das vendas.

• Em 1990 havia 89 empresas com capital de origem estrangeira instaladas na metrópole, que representavam 52% das vendas na região. São agora 130, responsáveis por 70% das vendas. Nesse mesmo período, as empresas de capital nacional com sede em São Paulo foram reduzidas quase à metade.

O que se observa, em relação à maioria dos setores, é um quadro de polarização geográfica no mapa dos negócios. Em alguns casos isso chega quase ao extremo, como nos setores de higiene, farmacêutico e de tecnologia, em que mais de 70% das empresas estão sediadas na Grande São Paulo. Restam para as demais regiões quase que exclusivamente os setores com forte dependência de proximidade de matéria-prima (siderurgia e mineração) e aqueles ligados à infra-estrutura e distribuição (serviços públicos, telecomunicações, atacado e transporte).

Para ter uma idéia do peso das grandes corporações empresariais num mundo globalizado, basta fazer algumas comparações:

• As vendas das 206 maiores empresas privadas com sede na Grande São Paulo (130 bilhões de dólares) equiparam-se ao faturamento mundial da General Electric, que ocupa a quinta posição entre as maiores companhias americanas, atrás de Exxon, Wal-Mart, GM e Ford.

• As vendas das 76 maiores empresas de capital nacional na metrópole somam 38 bilhões de dólares - o que equivale, no ranking americano, à posição da Motorola, a 34a colocada.

Ser uma cidade global significa fazer parte de um seleto grupo e ser porta para investimentos e tecnologia. Significa também sediar capitais financeiros que se movem com a força de um tufão e podem deixar marcas profundas na geografia humana e na ocupação do território.


A MATRÒPOLE CORPORATIVA
Como evoluíram, em uma década, o número e o faturamento das empresas sediadas na Grande São Paulo da lista das 500 maiores
EM NÚMERO DE EMPRESAS...
1990 2000 1990 2000
Brasileirass Origem estrangeira
Grande São Paulo 141 76 89 130
Brasil 353 269 147 231
EM FATURAMENTO DE VENDAS...
Em Us$ bilhões
1990 2000 1990 2000
Brasileirass Origem estrangeira
Grande São Paulo 32,4 37,7 35,6 91,3
Brasil 83,9 124,3 60 158,7

 


Tadeu Masano, doutor em planejamento urbano pela FAU-USP, é professor na Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e presidente da consultoria Geografia de Mercado