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Estudos internacionais qualificam como megacidades os aglomerados urbanos com mais de 10 milhões de habitantes. Mas, para ser global, o que conta não é a população. É a concentração de empresas do setor financeiro e de atividades de serviço de ponta que acumulam conhecimento, como consultoria, advocacia, auditoria e publicidade. Cerca de 60 cidades no mundo preenchem tais quesitos, segundo o estudo. São Paulo está classificada entre as cinco megacidades globais da América Latina. Há 11 nos Estados Unidos, entre elas Nova York, Chicago, São Francisco e Los Angeles. Um levantamento comparativo com base na mais recente edição de Melhores e Maiores confirma o expressivo aumento do peso do capital estrangeiro na metrópole paulista. Considere o desempenho das 500 maiores empresas privadas listadas no anuário de Exame: • Suas vendas atingiram 283 bilhões de dólares no ano passado - praticamente o dobro de 1990. Isso considerando o evento da maxidesvalorização em 1999. Apenas as empresas com sede na metrópole paulista foram responsáveis por 46% do total das vendas. • Em 1990 havia 89 empresas com capital de origem estrangeira instaladas na metrópole, que representavam 52% das vendas na região. São agora 130, responsáveis por 70% das vendas. Nesse mesmo período, as empresas de capital nacional com sede em São Paulo foram reduzidas quase à metade. O que se observa, em relação à maioria dos setores, é um quadro de polarização geográfica no mapa dos negócios. Em alguns casos isso chega quase ao extremo, como nos setores de higiene, farmacêutico e de tecnologia, em que mais de 70% das empresas estão sediadas na Grande São Paulo. Restam para as demais regiões quase que exclusivamente os setores com forte dependência de proximidade de matéria-prima (siderurgia e mineração) e aqueles ligados à infra-estrutura e distribuição (serviços públicos, telecomunicações, atacado e transporte). Para ter uma idéia do peso das grandes corporações empresariais num mundo globalizado, basta fazer algumas comparações: • As vendas das 206 maiores empresas privadas com sede na Grande São Paulo (130 bilhões de dólares) equiparam-se ao faturamento mundial da General Electric, que ocupa a quinta posição entre as maiores companhias americanas, atrás de Exxon, Wal-Mart, GM e Ford. • As vendas das 76 maiores empresas de capital nacional na metrópole somam 38 bilhões de dólares - o que equivale, no ranking americano, à posição da Motorola, a 34a colocada. Ser uma cidade global significa fazer parte de um seleto grupo e ser porta para investimentos e tecnologia. Significa também sediar capitais financeiros que se movem com a força de um tufão e podem deixar marcas profundas na geografia humana e na ocupação do território.
Tadeu Masano, doutor em planejamento urbano pela FAU-USP, é professor na Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e presidente da consultoria Geografia de Mercado | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||