Cabe mais um?

Há oportunidades para pequenos negócios. O difícil é acertar o ponto

Por Tadeu Masano

Uma das frases que mais se ouvem por aí é: "Gostaria tanto de abrir meu próprio negócio". A dúvida é se há espaço para mais um. Nas áreas metropolitanas, sempre existem oportunidades, ao menos nas atividades mais tradicionais. De um lado, porque a cidade ou o bairro cresceram e a demanda por aqueles produtos ou serviços está em expansão. De outro, porque alguns não souberam tocar o empreendimento ou querem mudar de ramo, abrindo espaço para recém-chegados.

Toda semana são vendidos na metrópole mais de 150 milhões de pãezinhos, 130 milhões de litros de combustível e 10 milhões de reais em apostas lotéricas. Para isso há cerca de 5 000 padarias, 2 800 postos de combustíveis e 1 100 casas lotéricas. Abrir mais um estabelecimento sempre é possível -- o difícil é saber onde. Dois princípios governam a escolha do ponto. Primeiro, deve haver um volume mínimo de negócios que suporte a instalação do empreendimento num determinado local, de forma rentável. Segundo, a rentabilidade estará condicionada ao tamanho efetivo da área de influência comercial. Essa área tem como limite a distância máxima que os consumidores estarão dispostos a percorrer. A combinação desses dois fatores determina que empresas de bens não especializados se distribuam densamente numa região, enquanto as de bens especializados se dispersem mais, pois podem sobreviver de visitas ocasionais.

Critérios de escolha
É óbvio que as diferentes atividades têm suas próprias características. Aqui vão dicas para a escolha do local em alguns segmentos:

Posto de gasolina Pense na interceptação. O cliente deve passar pelo seu estabelecimento antes de chegar ao do concorrente. O ponto deve ser visível a mais de um quarteirão. O terreno deve ser plano, de esquina ou com mais de 40 metros de frente. O fluxo no local deve ser superior a 30 000 veículos por dia.

Padaria Pense na compatibilidade. Se os negócios compatíveis no entorno (açougue, farmácia, banca de jornal) vão bem e não há padaria, ótimo. O ideal é que haja elevada densidade residencial (2 000 domicílios num raio de até 300 metros). De preferência, o ponto deve ser de esquina.

Casa de café Pense no volume de empregos. O fluxo de pessoas deve ser elevado, o que costuma ocorrer em pólos empresariais, estações de metrô, hospitais, aeroportos. Melhor ainda se o ponto ficar em esquina com semáforo demorado.

Lotérica Pense em áreas comerciais de grande movimento, como calçadões, shopping centers e hipermercados.

Artigos de decoração Pense nas regiões onde se concentram as lojas do ramo. Negócios de compra comparada terão área de influência comercial maior. Quanto maior a variedade da oferta (e, portanto, mais concorrentes próximos entre si), maior distância os consumidores percorrerão para comprar o que desejam. Escolha os pólos em ascensão e um ponto próximo dos melhores concorrentes do segmento.

Para o empreendedor, a boa localização resulta em maiores ganhos. Para a população, a maior concorrência leva ao aumento da qualidade e proporciona conveniência e economia de tempo. Bons negócios!


Tadeu Masano, doutor em planejamento urbano pela FAU-USP, é professor na Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e presidente da consultoria Geografia de Mercado